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No Brasil a mão que produz é a mesma que preserva o meio ambiente

Realização:
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil Embrapa
// 10/06/2015

Integração Lavoura-Pecuária-Floresta no Pará

Tradicionalmente na Amazônia sistemas agroflorestais e/ou integrados são praticados por indígenas, ribeirinhos dentre outras comunidades rurais. Na década de 1990 o governo federal incentivou a adoção de sistemas integrados via Fundo Constitucional Norte. O pacote proposto envolvia a associação de fruteiras. Com raras exceções, o programa não foi bem sucedido, geralmente por problemas agrotécnicos e socioeconômicos.

Nesse período as experiências com integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) no Pará baseavam-se no uso de árvores/palmeiras de regeneração natural e associação de plantios arbóreos com pastagens.

Até 2008 no nordeste e sudeste do Estado predominavam sistemas temporários do tipo "pastoreio em plantio florestal". A implantação de plantios florestais (paricá ou teca) ocorria em área degradadas de quicuio-da-amazônia pastejados por bovinos.

A integração dos animais com o plantio florestal tinha como objetivo diminuir os custos com limpezas. Apesar da satisfação dos produtores com os sistemas foram apontadas incertezas para a adoção: falta de assistência técnica, dificuldades na aquisição de sementes / mudas e desconhecimento de linhas de crédito específicas.

De 2008 a 2012 nove mil hectares de pastagens degradadas foram convertidos em ILPF no sudeste do Pará. Só no município de Paragominas a Embrapa estimou a conversão de 1% ao ano das áreas de pastagens em ILPF. E a Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas ressaltou o uso de ILPF estaria potencializando a expansão de plantios de eucalipto no Pará.

A opção por sistemas mais simplificados de ILPF tem redesenhado a paisagem rural, uma vez que tem sido utilizado na recuperação de pastagens degradadas. Os produtores têm optado por culturas de ciclo curto (milho, soja ou arroz) para diminuir custos de implantação de pastagem. Nos sistemas que integram árvores, o eucalipto tem a preferência, uma vez que a espécie possui um pacote tecnológico desenvolvido além da existência da oferta de mudas e mercado para venda, diminuindo o risco para o produtor.

Pesquisas indicam que esses sistemas permitem retorno econômico, mas são necessários estudos que analisem a sustentabilidade na dimensão ambiental, uma vez que apesar de inserirem práticas de rotação de culturas e integração de componente arbóreo, são sistemas fortemente dependentes do uso de agroquímicos.

Em 2013 foi promulgada a Lei 12.805, que institui a Política Nacional de ILPF. Nesse cenário de mudanças de uso da terra, legislação e linhas de crédito específicas para agricultura familiar via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que apoiam a implantação de sistema de ILPF, tais como Pronaf Floresta e Agroecologia, faz-se necessário a transferência de tecnologias já existentes para essa categoria produtiva.

A Embrapa já recomenda a utilização de preparo de área sem uso de fogo e intensificação de sistemas através do corte-e-trituração da capoeira e plantio de leguminosas arbóreas de rápido crescimento para reduzir o pousio e adubação verde.

Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) têm investigado o uso de árvores para moirão vivo e alimentação animal no Sudeste do Pará. O uso da gliricídia em cercas vivas pode reduzir os custos em até 16% por hectare comparado às cercas tradicionais. A espécie também apresentou boa capacidade de rebrota e 26% de proteína bruta sem o uso de fertilizantes.

Atualmente, dentre os projetos desenvolvidos pela UFPA, ganha destaque a pesquisa "Avaliação de espécies arbóreas forrageiras", que faz parte do Projeto Biomas, fruto de uma parceria entre a Embrapa e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Espera-se indicar espécies de árvores como opções sustentáveis para o desenvolvimento de sistemas ILPF mais adequados ao bioma Amazônia e com menor dependência de insumos externos à propriedade rural.

*Rosana Maneschy é Doutura em Ciências Agrárias e professora do Núcleo de Meio Ambiente da UFPA. ARTIGO publicado no Jornal O Liberal, do Pará, em 10/06/2015

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